#A Jornada de ser eu apesar de tudo: O Que Sobra Depois do Excesso ?

Durante muito tempo, achei que me conhecia.

Mas percebi que boa parte das minhas escolhas vinha da ansiedade, da necessidade de controle, da carência emocional ou da tentativa constante de corresponder ao que esperavam de mim.

O autoconhecimento começou quando parei de tentar parecer forte o tempo inteiro e comecei a observar meus próprios excessos.

Excesso de pensamento. 
Excesso de cobrança. 
Excesso de intensidade. 
Excesso de silêncio.

Esse processo não tem sido confortável. Na verdade, muitas vezes é solitário perceber quantas versões de nós mesmos foram criadas apenas para sobreviver emocionalmente.

Tenho entendido que se conhecer não é encontrar uma versão perfeita de si. 

É conseguir olhar para as próprias contradições sem fugir delas.

Hoje percebo padrões que antes passavam despercebidos:

a forma como acelero vínculos, a necessidade de validação, o medo do vazio, o cansaço mental constante e até a dificuldade de simplesmente existir sem me cobrar produtividade o tempo todo.

Escrever tem sido uma forma de organizar o caos. 

Transformar pensamentos em palavras estão me ajudando a entender melhor o que sinto — ou o que achei que sentia.

Talvez o autoconhecimento seja exatamente isso: aprender a diferenciar quem somos de quem nos tornamos para sermos aceitos.

E talvez “Depois do Excesso” exista justamente para acompanhar essa minha reconstrução interna.

— Janaina Furtado