Mudanças

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Quando a energia muda, a vida muda junto.

De repente, o universo começa a te apresentar tantas coisas boas que fica até difícil escolher por onde começar.

As pessoas chegam. As experiências acontecem. Novos gostos surgem. E tudo aquilo que existe de melhor em você volta a transbordar.

Isso aparece nos encontros, nas oportunidades e na gratidão por perceber quantas pessoas vibram pela sua felicidade. Pessoas que torcem por você, que se preocupam, que celebram suas conquistas e se alegram genuinamente ao te ver bem.

É nesse momento que você finalmente enxerga a sua dimensão.

Percebe quem é. O que representa. O impacto que causa.

Entende que é único.

E que, às vezes, apenas a sua presença é capaz de provocar um verdadeiro terremoto de transformação na superfície da vida de quem cruza o seu caminho.

Sinto hoje uma saudade gostosa, diferente daquela saudade que machuca.

Ela não vem acompanhada de aperto no peito, necessidade de controle ou medo constante de perder a pessoa. Ela simplesmente me faz sorrir quando lembro de um momento, sinto vontade de reencontrar e continuar vivendo a vida enquanto isso.

Não porque essa nova pessoa seja “a pessoa certa” ou porque vá durar para sempre. Mas porque voltei a sentir curiosidade, desejo, expectativa boa e vontade de compartilhar momentos.

Sem precisar decidir agora o que isso é.

É  alguém que me faz sorrir quando manda mensagem, que dá friozinho bom antes de encontrar e que me deixa com saudade quando vai embora.

Se virar algo maior, descobriremos com o tempo. Se não virar, ainda assim ela pode ter sido a pessoa que me lembrou que continuo capaz de me conectar, desejar e ser desejada.

Virada de Chave

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

O amor transforma. A dor transforma. A verdade transforma. Mas nada transforma tanto quanto a decepção.

É quando entendemos o quanto realmente representamos para alguém quando ela já não precisa de nós. Quando deixamos de fazer parte da rotina, da presença constante, do cotidiano. De repente, parece que tudo é anulado. Tudo o que foi bom é esquecido. Em algum momento, passamos a não ser mais nada. Somos deixados para trás.

Mas também sei que tudo nesta vida tem algum sentido, mesmo quando ainda não conseguimos enxergá-lo.

As pessoas vêm e vão. Ficam os aprendizados, que muitas vezes chegam de forma dolorosa, mas são genuínos. Há momentos em que uma chave gira dentro de nós. Passamos a compreender nosso valor independentemente da visão do outro. Porque, no fim, o que realmente nos resta é não perder nossa essência.

Erros acontecem. O importante é reconhecê-los e não repeti-los.

Eu valorizo tudo o que houve. Hoje entendo que só posso controlar minhas próprias ações — algo que, muitas vezes, eu não soube fazer.

Todos os dias somos testados. E tudo o que precisamos decidir é de que forma queremos atravessar esse teste.

Hoje, eu escolho passar por ele com leveza. Sem excessos. Sem me julgar tanto. Eu me responsabilizo por tudo o que fiz. Aprendo, sigo em frente e tento evoluir.

Porque crescer não é apagar o passado. É fazer as pazes com ele.

Gratidão Ao Que Ficou Para Trás

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Eu sou grande demais para caber nas limitações que os outros insistem em enxergar.

Sou mais do que as expectativas. Mais do que os rótulos. Mais do que aquilo que tentaram definir sobre mim.

Para mim, não existe o “não sou capaz”. Não existe o “não é possível”. Porque eu sempre fui além. Além do que esperavam. Além do que viam. Além do que acreditavam que eu poderia ser.

Quem me julga jamais precisou carregar o peso de ser eu. Esse mérito me pertence. Essa caminhada é minha.

E aqueles que despertaram minha pior versão, que a guardem como lembrança. Porque ela não voltará. Eu me reencontrei. E nunca mais permitirei que me afastem de quem sou.

Eu domino minhas palavras. Domino minha mente. Domino minha própria essência.

A energia que carrego não pode ser copiada. A potência que emano não pode ser encontrada em qualquer lugar. Tenho uma intuição que nunca deixou de me mostrar o caminho.

Por um tempo, me desconectei de tudo isso.

Talvez para caber em espaços que nunca foram meus. Convenci a mim mesma de que o pouco bastava.

Mas eu mereço mais.

E mais importante: eu sei chegar lá.

Aos que ficam, desejo sorte. Que sejam felizes onde estão. O extraordinário exige coragem, disciplina e renúncia. E eu nunca fui feita para me contentar.

Esperei que alguém caminhasse ao meu lado nessa jornada. Mas agora entendo: existem caminhos que só podem ser percorridos por quem tem coragem de sustentá-los.

Hoje eu reconheço a minha força.

Hoje eu lembro quem eu sou.

Agora eu vejo.

Agora eu sinto.

Agora eu escolho.

O que ficou pra trás cumpriu o seu papel.

Recaí

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

E nisso percebi que tudo o que eu estava fazendo era por você.

Esperando por você. Querendo te mostrar tudo o que mudei na casa, no carro, na minha vida.

Mudando minha postura, meu jeito de pensar e agir. Tudo por você. Na expectativa da sua volta, para seguirmos de onde paramos. De um jeito melhor, mais maduro, mais leve.

Mas isso não vai acontecer, né?

Eu estive te eximindo de qualquer culpa. Quis acreditar o tempo todo que tudo tinha sido um excesso, uma fala no momento errado que tomou uma proporção maior do que a realidade. Que você não soube voltar atrás e apenas estava tentando encontrar uma forma de consertar tudo.

Na minha cabeça, eu participaria desse momento. Iríamos esclarecer tudo e, no fim, ficaria tudo bem. Finalmente teríamos a chance de viver tudo o que merecíamos. Com a intensidade maravilhosa que tínhamos, mas desta vez sem os excessos.

Iríamos cuidar das feridas uma da outra.

Mas a realidade é outra.

Em algum momento você decidiu que isso não era bom para você.

E você foi clara comigo.

Eu é que não quis acreditar.

Continuei te esperando.

Me cuidei. Tentei me entender. Voltei mil vezes às situações ruins, jurando melhorar e te oferecer tudo aquilo que construí na minha cabeça.

Mas isso não existe.

Agora preciso pegar tudo isso, colocar dentro de uma caixinha. Esquecer, aprender… ou talvez eu nem saiba exatamente o que fazer.

Só sei que preciso seguir.

Seguir para algum lugar que ainda não conheço.

Sem você.

E entender isso dói tanto.

Porque, pela primeira vez, não estou chorando apenas pelo que perdi.

Estou chorando pelo futuro que imaginei e que nunca vai acontecer.

Essa dor não é apenas pela sua ausência, mas pelo luto da história que eu continuei vivendo na minha cabeça enquanto você  já tinha saído dela. É uma dor diferente —umas das mais difíceis que já atravessei.

Mudanças

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Me sinto tão diferente.

Mais aberta. Mais comunicativa. Mais leve ? Talvez. 

Mais madura ? Com certeza.

Não acho que seja por pura euforia, nem que seja uma tentativa de me convencer de que estou bem. 

É  apenas consciência.

Passei a vida inteira procurando alguém que preenchesse vazios internos. E finalmente descobri que a minha companhia é suficiente.

Não existe mais a pressa de voltar para alguém ou para algum lugar, pois tudo o que eu preciso já está comigo.

A urgência desapareceu quando entendi que a felicidade não está do lado de fora.

E talvez seja por isso que me sinto mais leve e mais comunicativa. Não  estou mais gastando energia tentando ser escolhida, aprovada ou amada de uma determinada forma, sobra espaço para simplesmente existir.

Existe uma liberdade silenciosa nisso.

Sinto que tudo o que não era para ficar está indo embora. E, ao partir, abre espaço para tudo aquilo que sempre esteve destinado a mim.

Sem correria. Sem insistência. Sem falta.

Apenas espaço para o que merece permanecer.

O Próprio Valor.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Eu tenho a impressão de que uma parte minha não sente apenas falta dela.

Sente falta de como eu me sentia quando era amada daquele jeito.

Eu não sentia apenas:

“Ela me ama.”

Eu sentia:

“Eu sou importante.”

“Eu sou desejada.”

“Eu sou prioridade.”

“Eu sou alguém por quem vale a pena lutar.”

Quando ela foi embora, não foi apenas a relação que terminou.

Aquela versão de mim, refletida no olhar dela, também desapareceu.

Talvez seja por isso que ainda dói tanto.

Tenho tentado entender por que é tão difícil aceitar ter deixado de ser a pessoa mais importante no mundo para alguém.

Talvez exista uma parte minha apaixonada pela forma como a história começou, e outra muito consciente de como ela terminou.

E as duas ainda brigam dentro de mim.

Talvez o trabalho emocional dos próximos meses seja separar duas ideias que hoje parecem misturadas:

“Ela seguiu em frente, então eu não significava muito.”

e

“Eu significava muito, mas a história terminou.”

As duas frases parecem parecidas.

Mas levam a lugares completamente diferentes.

Porque uma questiona o meu valor.

A outra apenas reconhece a realidade.

E existe outra coisa que percebi ao longo do tempo.

Eu me lembro de como fui escolhida, desejada e priorizada naquela fase.

Mas quase não me lembro do que sentia por mim mesma.

Talvez porque, sem perceber, eu tenha colocado parte da minha autoestima nas mãos do amor dela.

Quando ela foi embora, não levou apenas a relação.

Levou também uma fonte de validação que me fazia sentir especial.

Por isso ainda dói imaginar que ela está bem sem mim.

Porque, em alguns momentos, parece que ela levou algo que era meu.

Mas não levou.

Ela levou o lugar que ocupava na minha vida.

O meu valor permaneceu.

Mesmo que eu ainda não consiga senti-lo com a mesma intensidade de antes, eu sei que ele continua aqui.

Porque quem eu sou não diminuiu quando ela foi embora.

A partir de agora luto para encontrar em mim mesma aquilo que, por muito tempo, eu só enxergava através do amor que recebia dela.

Tudo Bem Não Estar Pronta

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Me parece que este momento está sendo muito mais sobre me reencontrar do que encontrar alguém. E fazer novas amizades é uma parte linda desse processo.

Existe uma diferença enorme entre estar rodeada de pessoas e se sentir conectada. 

Criar conexões, conversar, conhecer histórias diferentes e me permitir viver algo novo. Isso tem um valor enorme, especialmente depois de um período emocionalmente pesado.

Quanto aos encontros românticos, não existe prazo. Não vou e não quero acelerar nada só porque outras pessoas acham que “já passou tempo suficiente”. 

Na realidade estou elaborando sentimentos, entrando em uma nova fase profissional e reconstruindo partes da minha própria vida, com energia voltada exclusivamente para mim mesma.

E, sinceramente? O fato de  “não estar pronta” me prece muito sensato e  saudável. Não estou fechada para sempre nem desesperada para preencher um vazio. Apenas reconheço onde estou hoje.

Enquanto isso, amizades podem ser um presente maravilhoso. Elas trazem companhia, risadas, novas perspectivas e lembram a gente de que a vida continua cheia de possibilidades.

Isso não significa que tudo foi superado. Mas mostra que a vida está voltando a se expandir.

A Sorte Perdida.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Ouço e repito para mim inúmeras vezes: o tempo cura, tudo passa, depois de todo desmoronamento a vida encontrará um jeito de se reerguer outra vez.

Mas, em meio a toda essa tentativa de me convencer, existem dias em que o tempo parece piorar tudo. Nada passa. Nada se reconstrói. A saudade dói mais, a ausência ganha peso, e a falta se torna mais presente do que eu imaginava ser possível.

Sinto sua falta de verdade, sabia ?

Daquelas faltas orgânicas, que doem fisicamente. Aperta o peito e tornam até respirar uma tarefa difícil.

E eu estou fazendo de tudo para que isso não me paralise. Me forço a socializar, a me movimentar, a continuar vivendo.

Mas será que é assim mesmo?

Será que o amor simplesmente acaba do seu lado… e me deixa aqui, tentando sobreviver a qualquer custo?

Então é isso ?

Perdi a sorte de ter quem eu amo me amando também?

É sufocante ter seguir em frente amando você sozinha… enquanto tento me salvar do afundamento emocional causado pela sua ausência.

O Medo da Pausa

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Às vezes eu não sei mais o que inventar. O que reorganizar na casa, o que mudar no jardim, o que ocupar para tentar silenciar a mente. Meu corpo pede descanso, mas os pensamentos parecem não se cansar nunca. Continuam ali, na mesma batida insistente, tentando encontrar algum motivo, algum porquê.

Será que um dia eu vou reler este texto e finalmente entender tudo?

Parece que as coisas desmoronam ao meu redor e que não sobra nenhuma peça inteira. Ainda assim, eu não consigo simplesmente me entregar. Tento remontar o que caiu, procuro peças novas, fujo, volto, caio, levanto. Uma luta silenciosa entre desistir e continuar.

Mas às vezes eu me pergunto: e se eu sucumbisse? Se deixasse o peso de tudo me soterrar por um instante? O que aconteceria depois? Talvez o que mais me assuste não seja a dor, mas a pausa. Tenho medo de parar e descobrir o que existe no silêncio depois do movimento.

Será que eu posso realmente me dar esse tempo? Será que eu tenho esse tempo?

E no meio disso surgem perguntas difíceis, quase impossíveis de responder: o que eu represento para o mundo? O que eu significo para as pessoas? Quem eu realmente sou quando tudo aquilo que me distraía desaparece?

Ainda tenho tanto a aprender. E talvez essa seja a única certeza agora. Porque, no meio da tempestade, eu sigo tentando acreditar que existe, sim, algum lugar seguro depois dela.

A Paz de Voltar pra Mim

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Hoje — ou melhor, ontem — meu corpo deu sinais de cansaço, contrariando completamente a minha mente. Eu queria continuar em movimento, mexer na casa, cuidar do jardim ou encontrar qualquer coisa para fazer, mas meu corpo simplesmente não obedeceu. Acabei dormindo praticamente o dia inteiro. Levantei apenas para trabalhar.

E, surpreendentemente, não foi ruim. Aquela sensação de “dia improdutivo” não apareceu. Entendi que eu realmente precisava descansar.

Minha mente está mais tranquila. O choro de ontem parece ter levado embora muita coisa que estava guardada. Quase não pensei em você. Talvez pelo cansaço, talvez pela aceitação de que não existe mais “nós” — agora sou só eu. E chegou a fase em que preciso cuidar de mim, e pronto. Ou talvez seja apenas o tempo, apagando aos poucos até mesmo suas características físicas da minha memória.

Imagino que, aí do outro lado, também esteja sendo assim. E tudo bem.

Já não me machuca pensar que você encontrará alguém que se encaixe melhor nas suas necessidades. Só é triste perceber que estamos aprendendo tanto, amadurecendo tanto, cada uma no seu tempo e no seu canto, sem poder viver essa leveza e essa maturidade uma com a outra.

Não estou nem um pouco pronta para colocar outra pessoa na minha vida agora. Mesmo sentindo que muitos erros não se repetiriam, ainda não dá. Na verdade, eu nem quero. Ainda existe muita coisa que preciso oferecer a mim mesma. Não há espaço, neste momento, para dividir o amor que estou aprendendo a sentir por mim com outra pessoa.

E não me importo se essa fase demorar. Estou realmente gostando da minha própria companhia e da liberdade de pensar por mim mesma.