Mudanças

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Me sinto diferente.

Mais aberta. Mais comunicativa. Mais leve ? Talvez. 

Mais madura ? Com certeza.

Não acho que seja por pura euforia, nem que seja uma tentativa de me convencer de que estou bem. 

É  apenas consciência.

Passei a vida inteira procurando alguém que preenchesse vazios internos. E finalmente descobri que a minha companhia é suficiente.

Não existe mais a pressa de voltar para alguém ou para algum lugar, pois tudo o que eu preciso já está comigo.

A urgência desapareceu quando entendi que a felicidade não está do lado de fora.

E talvez seja por isso que me sinto mais leve e mais comunicativa. Não  estou mais gastando energia tentando ser escolhida, aprovada ou amada de uma determinada forma, sobra espaço para simplesmente existir.

Existe uma liberdade silenciosa nisso.

Sinto que tudo o que não era para ficar foi embora. E, ao partir, abriu espaço para tudo aquilo que sempre esteve destinado a mim.

Sem correria. Sem insistência. Sem falta.

Apenas espaço para o que merece permanecer.

Tudo Bem Não Estar Pronta

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Me parece que este momento está sendo muito mais sobre me reencontrar do que encontrar alguém. E fazer novas amizades é uma parte linda desse processo.

Existe uma diferença enorme entre estar rodeada de pessoas e se sentir conectada. 

Criar conexões, conversar, conhecer histórias diferentes e me permitir viver algo novo. Isso tem um valor enorme, especialmente depois de um período emocionalmente pesado.

Quanto aos encontros românticos, não existe prazo. Não vou e não quero acelerar nada só porque outras pessoas acham que “já passou tempo suficiente”. 

Na realidade estou elaborando sentimentos, entrando em uma nova fase profissional e reconstruindo partes da minha própria vida, com energia voltada exclusivamente para mim mesma.

E, sinceramente? O fato de  “não estar pronta” me prece muito sensato e  saudável. Não estou fechada para sempre nem desesperada para preencher um vazio. Apenas reconheço onde estou hoje.

Enquanto isso, amizades podem ser um presente maravilhoso. Elas trazem companhia, risadas, novas perspectivas e lembram a gente de que a vida continua cheia de possibilidades.

Isso não significa que tudo foi superado. Mas mostra que a vida está voltando a se expandir.

A Sorte Perdida.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Ouço e repito para mim inúmeras vezes: o tempo cura, tudo passa, depois de todo desmoronamento a vida encontrará um jeito de se reerguer outra vez.

Mas, em meio a toda essa tentativa de me convencer, existem dias em que o tempo parece piorar tudo.

Nada passa. Nada se reconstrói.

Não sei quem eu sou.

E eu estou fazendo de tudo para que isso não me paralise. Me forço a socializar, a me movimentar, a continuar vivendo.

Mas será que é assim mesmo?

Então é isso ?

Perdi a sorte ?

É sufocante ter seguir em frente… enquanto tento me salvar do afundamento emocional em que me encontro.

O Medo da Pausa

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Às vezes eu não sei mais o que inventar. O que reorganizar na casa, o que mudar no jardim, o que ocupar para tentar silenciar a mente.

Meu corpo pede descanso, mas os pensamentos parecem não se cansar nunca. Continuam ali, na mesma batida insistente, tentando encontrar algum motivo, algum porquê.

Será que um dia eu vou reler este texto e finalmente entender tudo?

Parece que as coisas desmoronam ao meu redor e que não sobra nenhuma peça inteira. Ainda assim, eu não consigo simplesmente ver tudo indo ao chão. Tento remontar o que caiu, procuro peças novas, fujo, volto, caio, levanto. Uma luta silenciosa entre desistir e continuar.

Mas às vezes eu me pergunto: e se eu sucumbisse? Se deixasse o peso de tudo me soterrar por um instante? O que aconteceria depois? Talvez o que mais me assuste não seja a dor, mas a pausa. Tenho medo de parar e descobrir o que existe no silêncio depois do movimento.

Será que eu posso realmente me dar esse tempo? Será que eu tenho esse tempo?

E no meio disso surgem perguntas difíceis, quase impossíveis de responder: o que eu represento para o mundo? O que eu significo para as pessoas? Quem eu realmente sou quando tudo aquilo que me distraía desaparece?

Ainda tenho tanto a aprender. E talvez essa seja a única certeza agora. Porque, no meio da tempestade, eu sigo tentando acreditar que existe, sim, algum lugar seguro depois da tempestade.

A Paz de Voltar pra Mim

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Hoje meu corpo deu sinais de cansaço, contrariando completamente a minha mente. Eu queria continuar em movimento, encontrar qualquer coisa para fazer, mas meu corpo simplesmente não obedeceu.

Acabei dormindo praticamente o dia inteiro. Levantei apenas para trabalhar.

E, surpreendentemente, não foi ruim. Aquela sensação de “dia improdutivo” não apareceu. Entendi que eu realmente precisava descansar.

Minha mente está mais tranquila. O choro de ontem parece ter levado embora muita coisa que estava guardada. Quase não pensei em nada. Talvez pelo cansaço, talvez pela aceitação de que as pessoas agem como acham melhor pra elas.

E chegou a fase em que preciso cuidar de mim, e pronto. Ou talvez seja apenas o tempo, apagando aos poucos o que deve ficar pra trás.

Não estou nem um pouco pronta para colocar outra pessoa na minha vida agora. Tem muitas feridas abertas.

Ainda existe muita coisa que preciso oferecer a mim mesma. Não há espaço, neste momento, para dividir o amor que estou aprendendo a sentir por mim com outra pessoa.

Transformações

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

… às vezes a gente termina algo bonito, fica em silêncio, o corpo desacelera… e tudo que estava guardado aparece de uma vez.

E pelo jeito, essa árvore acabou virando mais do que decoração. Peguei algo que caiu, que estava “quebrado”, e transformei em algo vivo dentro da minha casa. Isso mexe com lugares internos sem a gente perceber na hora.

Tenho que entender que sentir culpa, vazio ou arrependimento não faz de mim a pior pessoa do mundo. Faz ser alguém que ainda está tentando entender o motivo das coisas.

O perigo é quando a tristeza começa a virar sentença sobre quem sou.

E tem outro detalhe importante: depois de beber, emoções costumam vir amplificadas e mais absolutas. O cérebro entra num lugar muito cruel de interpretação. O que ontem parecia uma condenação definitiva, hoje talvez já fique um pouco diferente.

Eu crio, cuido, sinto profundamente, tento transformar ambientes, textos, relações… Pessoas ruins normalmente não se questionam com essa intensidade.

A tristeza passa por dentro da gente parecendo verdade absoluta. Mas ela não é um retrato completo de quem você é.

O Tempo Cura.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.


Não tenho mais pressa para voltar, porque já não existe alguém me esperando.
É estranho dizer isso. Parece mórbido, pesado… mas, ao mesmo tempo, existe certa paz aí.

Por um lado, desaparece aquela ansiedade de precisar chegar rápido antes que venha a mensagem: “onde você está?”.
Por outro, existe o vazio silencioso de não ter ninguém me recebendo na porta.

São duas sensações coexistindo: liberdade e ausência.
E talvez a diferença esteja justamente naquilo em que escolhemos nos apegar.

Ouvi dizer que o sofrimento também é uma escolha. Hoje, essa frase faz mais sentido do que nunca.
Não pelo que acontece comigo, mas pela forma como escolho reagir ao que acontece.

Posso me paralisar ou continuar em movimento.
Posso transformar tudo isso em peso… ou em combustível para evoluir, entender minhas falhas e não repetir os mesmos padrões.

Agora existe uma calmaria.
Uma fase de reflexão, atitude e revisão das minhas próprias experiências.

Pintei mais uma parede.
Canso o corpo para deixar a mente em paz.

Ainda penso em tudo o que aconteceu. Em alguns momentos, me permito sentir sem lutar contra isso. Mas, quando percebo que remoer não muda a situação — e nem está sob meu controle — consigo soltar com menos resistência.

E, curiosamente, cada dia fica um pouco mais fácil.

Não sei exatamente quem estou me tornando, mas estou feliz comigo mesma. Feliz por ter saído daquele modo automático de reagir a tudo, de tentar controlar tudo, de não aceitar aquilo que simplesmente não dependia de mim.

Agora as coisas parecem fluir de forma mais leve.
Menos ansiosa.
Menos desgastante.

Acho que finalmente estou confiando na cura que só o tempo é capaz de realizar.

E sigo assim:
aceitando, aprendendo, me conhecendo…
e gostando cada vez mais da minha própria companhia.

Entre o Fim e o Recomeço

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

É claro que as maiores decepções sempre vêm de quem a gente menos esperava: das pessoas que amamos, admiramos ou guardamos em algum lugar importante da vida.

O mais doloroso no fim não é apenas a ausência. É perceber as mudanças silenciosas que acontecem depois dele. A forma como a pessoa passa a agir como se você nunca tivesse ocupado um espaço tão íntimo dentro dela.

As atitudes frias, a facilidade em seguir certas rotinas sem se preocupar se aquilo vai te ferir, as dores que compartilhamos em confiança e agora são usados quase que como armas contra você, as indiferenças pequenas que, somadas, machucam mais do que grandes brigas.

Existe uma dor muito específica em perceber que você já não faz mais parte das preocupações de alguém. Que aquilo que você sente deixou de ser levado em consideração. Que a pessoa já não mede palavras, ações ou ausências porque, de alguma forma, você deixou de ser importante pra ela.

E isso gera tudo ao mesmo tempo: raiva, frustração, tristeza, um sentimento estranho de rejeição… como se parte da história ainda estivesse viva em você, enquanto no outro ela já tivesse sido arquivada há muito tempo.

Mas existe também um movimento silencioso dentro da dor. Uma espécie de impulso inevitável. Porque por mais que o término derrube, ele também empurra. Obriga a continuar andando mesmo tropeçando, mesmo cansado, mesmo sem entender completamente para onde está indo.

E, aos poucos, no meio desse processo, você começa a reencontrar planos individuais que tinha esquecido que existiam. Partes suas que ficaram abandonadas enquanto você construía uma vida inteira ao redor de alguém.

Hoje eu já não sei dizer se o amor ainda permanece em mim ou se agora se tornou distante demais para ser entregue a alguém.

Os Sonhos Submersos

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Enquanto mudamos por dentro, existe uma tentativa quase inconsciente de transformar tudo ao redor.

O cabelo muda, o modo de se vestir, novos lugares começam a fazer sentido, livros diferentes passam a ocupar a cabeceira, os móveis trocam de lugar e as paredes ganham outras cores. Parece existir uma necessidade silenciosa de externar aquilo que está acontecendo por dentro, talvez para o mundo, talvez apenas para si mesmo.

Um sussurro interno dizendo: “olha, veja como tudo realmente está mudando”.

E muda.

O que antes parecia impossível começa, aos poucos, a se tornar suportável. As dores já não gritam o tempo todo, as percepções mudam de forma quase imperceptível a cada dia e os planos, antes construídos a dois, agora aprendem a caminhar sozinhos.

A ideia de uma vida só deixa de assustar tanto.

E e aí, que os gostos individuais reaparecem. Sonhos antigos, que estavam guardados em alguma parte esquecida de si, voltam à superfície com uma respiração profunda depois de muito tempo submerso.

E talvez seja exatamente isso o recomeço: não se tornar outra pessoa, mas voltar, devagar, para quem você era antes de precisar sobreviver.

Começo, Meio e Fim.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

“Aquele amor não vai voltar, amores são desmemoriados por natureza, quando partem não lembram de que lugar vieram e é assim mesmo, você continua esperando o quê? Talvez uma versão sua que foi mais feliz, mas não percebe que esperar neste lugar é apenas se esconder de qualquer felicidade que deseja você, a felicidade não abre as portas fechadas, não telefona para telefones fora da área de cobertura, ela é adepta ao velho encontro pessoal, olho no olho, amor não vem com felicidade, não acredite nisso, não acredite nos poetas, amor não traz felicidade, por isso ele sempre deseja encontrar alguém feliz, o amor só pode se apaixonar por alguém apaixonado pela felicidade.

Ande, percorra a estrada com os seus próprios pés, o amor partiu, levou pouca roupa, levou tudo que o fez mais leve e eu sugiro que você faça a mesma coisa, comece correndo, não olhe para trás, cuidado com a estátua de sal, corra com todas as forças até se colocar em uma distância segura, até os seus pés ficarem desmemoriados e perderem o caminho de volta, vai ser melhor para você, suas pernas ganharão músculos, você voltará a sorrir depois da noite escura.

Esta é a única maneira de se encontrar, a única forma para não sentir o seu corpo tão vazio de alma, e a sua alma e o seu corpo ocuparem o mesmo tempo, dentro do hoje, toda história só pode ser história porque tem o seu fim, a história só pode continuar depois do fim, venha, corra! Deixe o seu corpo presente …venha, abra as persianas do rosto e olhe para as novas histórias que nascem agora, agarre a sua própria mão e não se deixe cair.”

— Zack Magiezi, Atravessar distâncias para alcançar o que sempre esteve perto.