Transformações

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

… às vezes a gente termina algo bonito, fica em silêncio, o corpo desacelera… e tudo que estava guardado aparece de uma vez.

E pelo jeito, essa árvore acabou virando mais do que decoração. Peguei algo que caiu, que estava “quebrado”, e transformei em algo vivo dentro da minha casa. Isso mexe com lugares internos sem a gente perceber na hora.

Tenho que entender que sentir saudade, culpa, vazio ou arrependimento não faz de mim a pior pessoa do mundo. Faz ser alguém que ainda está elaborando uma perda e tudo o que existiu nela.

O perigo é quando a tristeza começa a virar sentença sobre quem sou.

E tem outro detalhe importante: depois de beber, emoções costumam vir amplificadas e mais absolutas. O cérebro entra num lugar muito cruel de interpretação. O que ontem parecia uma condenação definitiva, hoje talvez já fique um pouco diferente.

Eu crio, cuido, sinto profundamente, tento transformar ambientes, textos, relações… Pessoas ruins normalmente não se questionam com essa intensidade.

A tristeza passa por dentro da gente parecendo verdade absoluta. Mas ela não é um retrato completo de quem você é.

O Tempo Cura.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.


Não tenho mais pressa para voltar, porque já não existe alguém me esperando.
É estranho dizer isso. Parece mórbido, pesado… mas, ao mesmo tempo, existe certa paz aí.

Por um lado, desaparece aquela ansiedade de precisar chegar rápido antes que venha a mensagem: “onde você está?”.
Por outro, existe o vazio silencioso de não ter ninguém me recebendo na porta.

São duas sensações coexistindo: liberdade e ausência.
E talvez a diferença esteja justamente naquilo em que escolhemos nos apegar.

Ouvi de uma pessoa muito importante para mim que o sofrimento também é uma escolha. Hoje, essa frase faz mais sentido do que nunca.
Não pelo que acontece comigo, mas pela forma como escolho reagir ao que acontece.

Posso me paralisar ou continuar em movimento.
Posso transformar tudo isso em peso… ou em combustível para evoluir, entender minhas falhas e não repetir os mesmos padrões.

Faz falta, sim, aquela urgência bonita de querer chegar logo em casa para encontrar quem se ama.
Aquela vontade quase infantil de sair correndo só para estar perto da pessoa.

Mas isso já não existe mais para mim.

Agora existe uma calmaria.
Uma fase de reflexão, atitude e revisão das minhas próprias experiências.

Pintei mais uma parede.
Canso o corpo para deixar a mente em paz.

Ainda penso em tudo o que aconteceu. Em alguns momentos, me permito sentir sem lutar contra isso. Mas, quando percebo que remoer não muda a situação — e nem está sob meu controle — consigo soltar com menos resistência.

E, curiosamente, cada dia fica um pouco mais fácil.

Não sei exatamente quem estou me tornando, mas estou feliz comigo mesma. Feliz por ter saído daquele modo automático de reagir a tudo, de tentar controlar tudo, de não aceitar aquilo que simplesmente não dependia de mim.

Agora as coisas parecem fluir de forma mais leve.
Menos ansiosa.
Menos desgastante.

Acho que finalmente estou confiando na cura que só o tempo é capaz de realizar.

E sigo assim:
aceitando, aprendendo, me conhecendo…
e gostando cada vez mais da minha própria companhia.

Talvez Seja Apenas Saudade.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Hoje eu funcionei no 220V.

Talvez tenha sido o dia mais proativo dos meus últimos oito anos. Fiz coisas que penso em fazer há tanto tempo que já nem sei mais desde quando — e também não sei por que nunca tinha feito antes.

Só fiz.

Sem arquitetar demais. Sem esperar o momento perfeito. Sem aquela necessidade de deixar tudo impecável antes de colocar no mundo. Foi simplesmente: pensei, fiz.

E me senti absurdamente bem com isso.

Mas, se me perguntarem o motivo de eu estar assim… eu não sei responder.

Ansiedade?
Necessidade de me sentir útil?
Bem-sucedida?
Ou talvez uma tentativa desesperada de não pensar em você?

Também não sei.

O fato é que, depois de fazer tanto, pensar tanto e escrever tanto sobre superação, um sentimento muito forte me atravessou: a sensação de que você vai voltar.

Foi tão intenso que eu quase senti a temperatura do seu corpo abraçando o meu. Arrepiei. Sorri sozinha. E, por alguns segundos, me animei com a possibilidade de você viver comigo essa minha fase tão transformadora.

Pode ser só um lapso de negação. Pode.

Mas aprendi que ignorar minhas intuições geralmente é apenas adiar algo que, cedo ou tarde, eu acabarei entendendo. Então talvez eu só precise esperar mais um pouco.

Ou talvez tudo isso exista apenas porque sonhei com você esta noite, e meu cérebro ainda se recuse a aceitar que não foi real — querendo, a qualquer custo, mais uma dose da sua presença.

No sonho, eu te abraçava forte. Beijava seu rosto, seus olhos, sua testa, sua barriga. E repetia, quase implorando, o quanto te amava e que você nunca mais deveria fazer aquilo com a gente.

Então eu acordei.

E acho que passei o dia inteiro fugindo desse sonho. Ou talvez tenha feito tudo o que fiz justamente para não precisar encarar a sensação de ter você perto outra vez. O cheiro. O toque. O conforto.

Até que, num banho cansado, a ficha caiu.

Talvez essa certeza absurda de que você vai voltar — acompanhada dos arrepios e dessa vontade involuntária de sorrir — seja apenas um resquício inconsciente deixado pelo sonho, impregnado em alguma memória celular minha que ainda não aprendeu a diferenciar saudade de presença.

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Entre o Fim e o Recomeço

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

É claro que as maiores decepções sempre vêm de quem a gente menos esperava se decepcionar: das pessoas que amamos, admiramos ou guardamos em algum lugar importante da vida.

O mais doloroso no fim não é apenas a ausência. É perceber as mudanças silenciosas que acontecem depois dele. A forma como a pessoa passa a agir como se você nunca tivesse ocupado um espaço tão íntimo dentro dela. As atitudes frias, a facilidade em seguir certas rotinas sem se preocupar se aquilo vai te ferir, as dores que compartilhamos em confiança e agora são usados quase que como armas contra você, as indiferenças pequenas que, somadas, machucam mais do que grandes brigas.

Existe uma dor muito específica em perceber que você já não faz mais parte das preocupações de alguém. Que aquilo que você sente deixou de ser levado em consideração. Que a pessoa já não mede palavras, ações ou ausências porque, de alguma forma, você deixou de ser importante pra ela.

E isso gera tudo ao mesmo tempo: raiva, frustração, tristeza, um sentimento estranho de rejeição… como se parte da história ainda estivesse viva em você, enquanto no outro ela já tivesse sido arquivada há muito tempo.

Mas existe também um movimento silencioso dentro da dor. Uma espécie de impulso inevitável. Porque por mais que o término derrube, ele também empurra. Obriga a continuar andando mesmo tropeçando, mesmo cansado, mesmo sem entender completamente para onde está indo.

E, aos poucos, no meio desse processo, você começa a reencontrar planos individuais que tinha esquecido que existiam. Partes suas que ficaram abandonadas enquanto você construía uma vida inteira ao redor de alguém.

Hoje eu já não sei dizer se o amor ainda permanece aqui ou se apenas se tornou distante demais para ser alcançado. Talvez ele ainda exista de forma latente, quieto em algum lugar. Ou talvez tenha se transformado em um amor consciente: aquele que ainda existe, mas entende que já não pode mais conduzir o futuro.

Então ele permanece… mas já não controla mais a vida.

Os Sonhos Submersos

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Enquanto mudamos por dentro, existe uma tentativa quase inconsciente de transformar tudo ao redor. O cabelo muda, o modo de se vestir, novos lugares começam a fazer sentido, livros diferentes passam a ocupar a cabeceira, os móveis trocam de lugar e as paredes ganham outras cores. Parece existir uma necessidade silenciosa de externar aquilo que está acontecendo por dentro, talvez para o mundo, talvez apenas para si mesmo.

Um sussurro interno dizendo: “olha, veja como tudo realmente está mudando”.

E muda.

O que antes parecia impossível começa, aos poucos, a se tornar suportável. As dores já não gritam o tempo todo, as percepções mudam de forma quase imperceptível a cada dia e os planos, antes construídos a dois, agora aprendem a caminhar sozinhos.

A ideia de uma vida só deixa de assustar tanto.

E e aí, que os gostos individuais reaparecem. Sonhos antigos, que estavam guardados em alguma parte esquecida de si, voltam à superfície com uma respiração profunda depois de muito tempo submerso.

E talvez seja exatamente isso o recomeço: não se tornar outra pessoa, mas voltar, devagar, para quem você era antes de precisar sobreviver.

Começo, Meio e Fim.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

“Aquele amor não vai voltar, amores são desmemoriados por natureza, quando partem não lembram de que lugar vieram e é assim mesmo, você continua esperando o quê? Talvez uma versão sua que foi mais feliz, mas não percebe que esperar neste lugar é apenas se esconder de qualquer felicidade que deseja você, a felicidade não abre as portas fechadas, não telefona para telefones fora da área de cobertura, ela é adepta ao velho encontro pessoal, olho no olho, amor não vem com felicidade, não acredite nisso, não acredite nos poetas, amor não traz felicidade, por isso ele sempre deseja encontrar alguém feliz, o amor só pode se apaixonar por alguém apaixonado pela felicidade.

Ande, percorra a estrada com os seus próprios pés, o amor partiu, levou pouca roupa, levou tudo que o fez mais leve e eu sugiro que você faça a mesma coisa, comece correndo, não olhe para trás, cuidado com a estátua de sal, corra com todas as forças até se colocar em uma distância segura, até os seus pés ficarem desmemoriados e perderem o caminho de volta, vai ser melhor para você, suas pernas ganharão músculos, você voltará a sorrir depois da noite escura.

Esta é a única maneira de se encontrar, a única forma para não sentir o seu corpo tão vazio de alma, e a sua alma e o seu corpo ocuparem o mesmo tempo, dentro do hoje, toda história só pode ser história porque tem o seu fim, a história só pode continuar depois do fim, venha, corra! Deixe o seu corpo presente …venha, abra as persianas do rosto e olhe para as novas histórias que nascem agora, agarre a sua própria mão e não se deixe cair.”

— Zack Magiezi, Atravessar distâncias para alcançar o que sempre esteve perto.

O Que Sobra Depois da Aceitação ?

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Hoje eu inventei tanta coisa para fazer e não pensar em você, que acho que troquei todas as lâmpadas de lugar — e, no fim, tudo continuou exatamente igual. Talvez nada tenha mudado na casa, mas alguma coisa mudou aqui dentro. Minha cabeça ficou ocupada com coisas aleatórias, pequenas distrações, e isso me trouxe um pouco de paz. Um pouco de felicidade também. Não pensar em você por alguns instantes me causou um alívio – eu jamais pensaria que isso poderia ser possível a alguns dias atrás –

E acho que é assim que as coisas acontecem daqui para frente: devagar. Até não doer tanto. Até suas características físicas começarem a escapar da memória. Até o cheiro, os detalhes, os costumes, as frases… tudo ir se dissolvendo aos poucos. E o mais estranho é perceber que pensar nisso já não me desespera como antes.

Talvez porque hoje eu tenha entendido algo difícil.

Em uma postagem anterior, tentei descrever o tamanho da sua falta. Mas, no meio das palavras, percebi que, em muitos momentos, você já estava ali apenas de corpo presente. Sua ausência começou muito antes do fim. E talvez você estivesse certa o tempo todo. Talvez tenha tido coragem de enxergar o que eu ainda insistia em negar.

Porque alguns dias antes da decisão, você ainda dizia que estava feliz, que queria insistir. E eu também queria acreditar nisso. Nós duas queríamos. Mas a verdade é que já não conseguíamos nos fazer bem. Existia amor, carinho, apego, história… mas já havia também cansaço, feridas acumuladas e versões incompletas de nós mesmas tentando sustentar algo que estava deixando de existir.

Talvez a gente nunca tenha aprendido de verdade com as relações passadas.

Talvez tenhamos carregado dores antigas para dentro de algo que merecia mais leveza. Nos machucamos sem perceber, e acabamos perdendo algo que nunca vamos saber exatamente no que poderia ter se transformado.

Mas, ainda assim, tenho certeza de uma coisa: fomos extremamente importantes uma na vida da outra.

Porque depois de tudo, alguma coisa ficou. Aprendizados ficaram. Limites ficaram. Coragem ficou. E talvez agora exista mais consciência para seguirmos adiante sem repetir exatamente os mesmos ciclos.

Então, de alguma forma, deixo aqui o meu agradecimento.

Por tudo o que fomos.
Pelo que tentamos ser.
E principalmente pela coragem que você teve de encerrar algo que nenhuma de nós conseguia mais salvar sozinha.

Talvez amar alguém também seja isso: entender que nem toda despedida acontece por falta de amor. Algumas acontecem porque permanecer começou a destruir aquilo que um dia fez bem.

O Que Sobra Depois do Fim ?

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Tem dias em que a ausência chega silenciosa.
Não faz barulho, não avisa, não pede licença.
Ela apenas aparece, mostrando que existe um espaço vazio exatamente onde antes havia presença.

O mais difícil do fim não é somente perder alguém.
É perceber que uma versão nossa também vai embora junto.

A versão que esperava, que insistia, que criava planos, que acreditava que o sentimento e a vontade sobreviveriam a qualquer desgaste.

Mas talvez crescer emocionalmente seja entender que amor nenhum pode existir à custa do abandono de si mesmo.

E é estranho perceber que, às vezes, o término não destrói a gente — ele revela o quanto já estávamos quebrados tentando manter algo de pé.

O “nunca mais” dói porque encerra possibilidades.
Não existe mais aquela conversa que ficou para depois.
Não existe mais a moto chegando na garagem,
Não existe mais aquela versão da rotina onde tudo parecia familiar.

Só que, junto da dor, nasce outra coisa: consciência.

A consciência de que algumas partidas não acontecem para punir, mas para interromper ciclos que estavam consumindo nossa paz. E talvez essa seja a parte mais difícil da transformação emocional: aceitar que sentir saudade não significa voltar.

Hoje eu entendo que certas pessoas passam pela nossa vida para deixar marcas, não permanência. E tudo bem. Nem todo amor foi feito para durar; alguns existem apenas para despertar partes nossas que estavam adormecidas.

Então é isso.
Eu volto a ser a pessoa antipática que você evitava ir no setor só para não encontrar, e você volta a ser apenas alguém que passava despercebida por mim… até o dia em que cortou e platinou o cabelo.

O vazio ainda existe latente em tudo que cruza os meus dias.
A saudade também.
Mas agora, no meio desse silêncio todo, começa a surgir alguém que eu jamais conheci direito: eu mesma!

A Ausência nos Detalhes.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Tem dores que não aparecem nas grandes despedidas, mas nos detalhes que ainda esperam alguém.

Mesmo com a mente mais silenciosa, o coração batendo no ritmo habitual, o peito sem doer tanto e a bola na garganta já quase desaparecendo deixando a comida descer….os detalhes ainda me pegam desprevenida.

O pedaço do lanche que sobra no prato e não existe mais ela para terminar.

Não ter mais alguém para dar bom dia com a cara amassada e o pescoço com um cheiro ímpar.

As idas ao supermercado.

O copo que sobra na pia.

O vazio no guarda-roupa.

A mensagem que não chega.

O reflexo automático de pegar o celular para contar algo.

Quem vai comprar o shampoo agora?

Escolher o papel higiênico com o melhor custo-benefício?

Quem vai me ajudar a levar o gato para castrar ?

Fazer um jantar no improviso com o que temos na geladeira ?

Pois é, ninguém estará mais comigo nesses momentos. Os hábitos ficaram sem destino.

E talvez seja justamente isso que mais dói: perceber que existem ausências que não dependem mais da minha vontade.

Ainda penso nisso por horas todos os dias. 

Mas agora existe mais entendimento, menos excessos e um pouco mais de aceitação. E isso, para mim, já é um grande passo.

Tenho olhado para dentro.

E, nesse processo, descoberto tanto sobre mim.

Chegou a hora da reconstrução.

Unir o que restou àquilo que desejo ser.

Como um ato de coragem, porque exige que eu seja, ao mesmo tempo, a demolição e a arquiteta.

Não se trata de esquecer o passado, mas de ter coragem de atravessar os próprios escombros, aprender e seguir em frente construindo um novo alicerce.

Porque, embora eu não possa mudar o que desmoronou, as peças necessárias para construir um novo caminho mais consciente estão nas minhas mãos.

Entre o Impulso e a Escolha

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

[Oi, desculpa te chamar assim.  Sei que  isso não é  apropriado, mas você  foi a única pessoa em quem pensei que poderia me ajudar…]

Pois é, foi mais ou menos assim que comecei a mensagem que idealizei enviar para a amiga da minha ex hoje.

E então, depois daquela pausa entre o pensamento e a ação eu consegui entender: ter controle não é ausência de impulso.

É sentir vontade de mandar a bendita mensagem… e ainda assim, escolher não mandar.  

É ter mil perguntas na cabeça… e entender que nem toda pergunta precisa de resposta.

É perceber que a dor existe, sem que seja preciso transformar cada emoção em uma ação. 

É deixar ir…

Não é desligar a saudade, silenciar a ansiedade ou fingir que nada mais te toca.

A maturidade emocional não é sobre não sentir.  Talvez seja justamente o contrário: sentir tudo e, mesmo assim, discernir.

Nem tudo que passa pela mente merece virar atitude.  

Nem toda saudade merece retorno.  

Nem toda urgência merece movimento.

Nem tudo merece nossa energia.

Entendi finalmente que o maior sinal de controle emocional não está no que faço, mas no que decido não fazer.

E soltar …🎈