#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Às vezes eu não sei mais o que inventar. O que reorganizar na casa, o que mudar no jardim, o que ocupar para tentar silenciar a mente. Meu corpo pede descanso, mas os pensamentos parecem não se cansar nunca. Continuam ali, na mesma batida insistente, tentando encontrar algum motivo, algum porquê.
Será que um dia eu vou reler este texto e finalmente entender tudo?
Parece que as coisas desmoronam ao meu redor e que não sobra nenhuma peça inteira. Ainda assim, eu não consigo simplesmente me entregar. Tento remontar o que caiu, procuro peças novas, fujo, volto, caio, levanto. Uma luta silenciosa entre desistir e continuar.
Mas às vezes eu me pergunto: e se eu sucumbisse? Se deixasse o peso de tudo me soterrar por um instante? O que aconteceria depois? Talvez o que mais me assuste não seja a dor, mas a pausa. Tenho medo de parar e descobrir o que existe no silêncio depois do movimento.
Será que eu posso realmente me dar esse tempo? Será que eu tenho esse tempo?
E no meio disso surgem perguntas difíceis, quase impossíveis de responder: o que eu represento para o mundo? O que eu significo para as pessoas? Quem eu realmente sou quando tudo aquilo que me distraía desaparece?
Ainda tenho tanto a aprender. E talvez essa seja a única certeza agora. Porque, no meio da tempestade, eu sigo tentando acreditar que existe, sim, algum lugar seguro depois dela.
