O Tempo Cura.

#A jornada de ser eu apesar de tudo.


Não tenho mais pressa para voltar, porque já não existe alguém me esperando.
É estranho dizer isso. Parece mórbido, pesado… mas, ao mesmo tempo, existe certa paz aí.

Por um lado, desaparece aquela ansiedade de precisar chegar rápido antes que venha a mensagem: “onde você está?”.
Por outro, existe o vazio silencioso de não ter ninguém me recebendo na porta.

São duas sensações coexistindo: liberdade e ausência.
E talvez a diferença esteja justamente naquilo em que escolhemos nos apegar.

Ouvi de uma pessoa muito importante para mim que o sofrimento também é uma escolha. Hoje, essa frase faz mais sentido do que nunca.
Não pelo que acontece comigo, mas pela forma como escolho reagir ao que acontece.

Posso me paralisar ou continuar em movimento.
Posso transformar tudo isso em peso… ou em combustível para evoluir, entender minhas falhas e não repetir os mesmos padrões.

Faz falta, sim, aquela urgência bonita de querer chegar logo em casa para encontrar quem se ama.
Aquela vontade quase infantil de sair correndo só para estar perto da pessoa.

Mas isso já não existe mais para mim.

Agora existe uma calmaria.
Uma fase de reflexão, atitude e revisão das minhas próprias experiências.

Pintei mais uma parede.
Canso o corpo para deixar a mente em paz.

Ainda penso em tudo o que aconteceu. Em alguns momentos, me permito sentir sem lutar contra isso. Mas, quando percebo que remoer não muda a situação — e nem está sob meu controle — consigo soltar com menos resistência.

E, curiosamente, cada dia fica um pouco mais fácil.

Não sei exatamente quem estou me tornando, mas estou feliz comigo mesma. Feliz por ter saído daquele modo automático de reagir a tudo, de tentar controlar tudo, de não aceitar aquilo que simplesmente não dependia de mim.

Agora as coisas parecem fluir de forma mais leve.
Menos ansiosa.
Menos desgastante.

Acho que finalmente estou confiando na cura que só o tempo é capaz de realizar.

E sigo assim:
aceitando, aprendendo, me conhecendo…
e gostando cada vez mais da minha própria companhia.