Entre o Fim e o Recomeço

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

É claro que as maiores decepções sempre vêm de quem a gente menos esperava se decepcionar: das pessoas que amamos, admiramos ou guardamos em algum lugar importante da vida.

O mais doloroso no fim não é apenas a ausência. É perceber as mudanças silenciosas que acontecem depois dele. A forma como a pessoa passa a agir como se você nunca tivesse ocupado um espaço tão íntimo dentro dela. As atitudes frias, a facilidade em seguir certas rotinas sem se preocupar se aquilo vai te ferir, as dores que compartilhamos em confiança e agora são usados quase que como armas contra você, as indiferenças pequenas que, somadas, machucam mais do que grandes brigas.

Existe uma dor muito específica em perceber que você já não faz mais parte das preocupações de alguém. Que aquilo que você sente deixou de ser levado em consideração. Que a pessoa já não mede palavras, ações ou ausências porque, de alguma forma, você deixou de ser importante pra ela.

E isso gera tudo ao mesmo tempo: raiva, frustração, tristeza, um sentimento estranho de rejeição… como se parte da história ainda estivesse viva em você, enquanto no outro ela já tivesse sido arquivada há muito tempo.

Mas existe também um movimento silencioso dentro da dor. Uma espécie de impulso inevitável. Porque por mais que o término derrube, ele também empurra. Obriga a continuar andando mesmo tropeçando, mesmo cansado, mesmo sem entender completamente para onde está indo.

E, aos poucos, no meio desse processo, você começa a reencontrar planos individuais que tinha esquecido que existiam. Partes suas que ficaram abandonadas enquanto você construía uma vida inteira ao redor de alguém.

Hoje eu já não sei dizer se o amor ainda permanece aqui ou se apenas se tornou distante demais para ser alcançado. Talvez ele ainda exista de forma latente, quieto em algum lugar. Ou talvez tenha se transformado em um amor consciente: aquele que ainda existe, mas entende que já não pode mais conduzir o futuro.

Então ele permanece… mas já não controla mais a vida.