#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Enquanto mudamos por dentro, existe uma tentativa quase inconsciente de transformar tudo ao redor. O cabelo muda, o modo de se vestir, novos lugares começam a fazer sentido, livros diferentes passam a ocupar a cabeceira, os móveis trocam de lugar e as paredes ganham outras cores. Parece existir uma necessidade silenciosa de externar aquilo que está acontecendo por dentro, talvez para o mundo, talvez apenas para si mesmo.
Um sussurro interno dizendo: “olha, veja como tudo realmente está mudando”.
E muda.
O que antes parecia impossível começa, aos poucos, a se tornar suportável. As dores já não gritam o tempo todo, as percepções mudam de forma quase imperceptível a cada dia e os planos, antes construídos a dois, agora aprendem a caminhar sozinhos.
A ideia de uma vida só deixa de assustar tanto.
E e aí, que os gostos individuais reaparecem. Sonhos antigos, que estavam guardados em alguma parte esquecida de si, voltam à superfície com uma respiração profunda depois de muito tempo submerso.
E talvez seja exatamente isso o recomeço: não se tornar outra pessoa, mas voltar, devagar, para quem você era antes de precisar sobreviver.
