#A jornada de ser eu apesar de tudo.

E nisso percebi que tudo o que eu estava fazendo era por você.
Esperando por você. Querendo te mostrar tudo o que mudei na casa, no carro, na minha vida.
Mudando minha postura, meu jeito de pensar e agir. Tudo por você. Na expectativa da sua volta, para seguirmos de onde paramos. De um jeito melhor, mais maduro, mais leve.
Mas isso não vai acontecer, né?
Eu estive te eximindo de qualquer culpa. Quis acreditar o tempo todo que tudo tinha sido um excesso, uma fala no momento errado que tomou uma proporção maior do que a realidade. Que você não soube voltar atrás e apenas estava tentando encontrar uma forma de consertar tudo.
Na minha cabeça, eu participaria desse momento. Iríamos esclarecer tudo e, no fim, ficaria tudo bem. Finalmente teríamos a chance de viver tudo o que merecíamos. Com a intensidade maravilhosa que tínhamos, mas desta vez sem os excessos.
Iríamos cuidar das feridas uma da outra.
Mas a realidade é outra.
Em algum momento você decidiu que isso não era bom para você.
E você foi clara comigo.
Eu é que não quis acreditar.
Continuei te esperando.
Me cuidei. Tentei me entender. Voltei mil vezes às situações ruins, jurando melhorar e te oferecer tudo aquilo que construí na minha cabeça.
Mas isso não existe.
Agora preciso pegar tudo isso, colocar dentro de uma caixinha. Esquecer, aprender… ou talvez eu nem saiba exatamente o que fazer.
Só sei que preciso seguir.
Seguir para algum lugar que ainda não conheço.
Sem você.
E entender isso dói tanto.
Porque, pela primeira vez, não estou chorando apenas pelo que perdi.
Estou chorando pelo futuro que imaginei e que nunca vai acontecer.
Essa dor não é apenas pela sua ausência, mas pelo luto da história que eu continuei vivendo na minha cabeça enquanto você já tinha saído dela. É uma dor diferente —umas das mais difíceis que já atravessei.
