#A jornada de ser eu apesar de tudo.

A gente costuma acreditar que o fim de uma relação acontece de repente. Quase nunca acontece.
Na maioria das vezes, ele começa quando deixamos de olhar um para o outro com curiosidade. Quando paramos de perguntar como o outro está vivendo a própria vida e passamos a acreditar que já sabemos todas as respostas.
O tempo muda as pessoas. Muda as prioridades, os medos, os sonhos e até a forma de amar. E isso não significa que alguém esteja errado. Significa apenas que ninguém permanece exatamente igual.
Talvez o maior erro dentro de uma relação seja amar a lembrança de quem a pessoa foi, enquanto ela já está tentando existir de outro jeito.
Quando isso acontece, a distância nem sempre aparece na falta de mensagens ou de carinho. Às vezes ela nasce no silêncio de quem já não se sente visto, compreendido ou escolhido.
Hoje eu entendo que alguns finais não acontecem por falta de amor. Acontecem porque duas pessoas deixaram de conseguir se encontrar no mesmo lugar.
E tudo bem.
Nem toda despedida precisa carregar culpa. Algumas carregam apenas o reconhecimento de que insistir já não faria sentido.
A vida continua transformando cada um de nós. E talvez a forma mais bonita de amar seja aceitar que algumas pessoas caminham ao nosso lado apenas por um trecho do caminho.
O importante é que, quando uma história termina, a gente não deixe de continuar caminhando.
Porque quem permanece em movimento sempre acaba encontrando novos lugares, novas versões de si mesmo e, quando for a hora, novos encontros.
