A Paz de Voltar pra Mim

#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Hoje — ou melhor, ontem — meu corpo deu sinais de cansaço, contrariando completamente a minha mente. Eu queria continuar em movimento, mexer na casa, cuidar do jardim ou encontrar qualquer coisa para fazer, mas meu corpo simplesmente não obedeceu. Acabei dormindo praticamente o dia inteiro. Levantei apenas para trabalhar.

E, surpreendentemente, não foi ruim. Aquela sensação de “dia improdutivo” não apareceu. Entendi que eu realmente precisava descansar.

Minha mente está mais tranquila. O choro de ontem parece ter levado embora muita coisa que estava guardada. Quase não pensei em você. Talvez pelo cansaço, talvez pela aceitação de que não existe mais “nós” — agora sou só eu. E chegou a fase em que preciso cuidar de mim, e pronto. Ou talvez seja apenas o tempo, apagando aos poucos até mesmo suas características físicas da minha memória.

Imagino que, aí do outro lado, também esteja sendo assim. E tudo bem.

Já não me machuca pensar que você encontrará alguém que se encaixe melhor nas suas necessidades. Só é triste perceber que estamos aprendendo tanto, amadurecendo tanto, cada uma no seu tempo e no seu canto, sem poder viver essa leveza e essa maturidade uma com a outra.

Não estou nem um pouco pronta para colocar outra pessoa na minha vida agora. Mesmo sentindo que muitos erros não se repetiriam, ainda não dá. Na verdade, eu nem quero. Ainda existe muita coisa que preciso oferecer a mim mesma. Não há espaço, neste momento, para dividir o amor que estou aprendendo a sentir por mim com outra pessoa.

E não me importo se essa fase demorar. Estou realmente gostando da minha própria companhia e da liberdade de pensar por mim mesma.