#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Eu tenho a impressão de que uma parte minha não sente apenas falta dela.
Sente falta de como eu me sentia quando era amada daquele jeito.
Eu não sentia apenas:
“Ela me ama.”
Eu sentia:
“Eu sou importante.”
“Eu sou desejada.”
“Eu sou prioridade.”
“Eu sou alguém por quem vale a pena lutar.”
Quando ela foi embora, não foi apenas a relação que terminou.
Aquela versão de mim, refletida no olhar dela, também desapareceu.
Talvez seja por isso que ainda dói tanto.
Tenho tentado entender por que é tão difícil aceitar ter deixado de ser a pessoa mais importante no mundo para alguém.
Talvez exista uma parte minha apaixonada pela forma como a história começou, e outra muito consciente de como ela terminou.
E as duas ainda brigam dentro de mim.
Talvez o trabalho emocional dos próximos meses seja separar duas ideias que hoje parecem misturadas:
“Ela seguiu em frente, então eu não significava muito.”
e
“Eu significava muito, mas a história terminou.”
As duas frases parecem parecidas.
Mas levam a lugares completamente diferentes.
Porque uma questiona o meu valor.
A outra apenas reconhece a realidade.
E existe outra coisa que percebi ao longo do tempo.
Eu me lembro de como fui escolhida, desejada e priorizada naquela fase.
Mas quase não me lembro do que sentia por mim mesma.
Talvez porque, sem perceber, eu tenha colocado parte da minha autoestima nas mãos do amor dela.
Quando ela foi embora, não levou apenas a relação.
Levou também uma fonte de validação que me fazia sentir especial.
Por isso ainda dói imaginar que ela está bem sem mim.
Porque, em alguns momentos, parece que ela levou algo que era meu.
Mas não levou.
Ela levou o lugar que ocupava na minha vida.
O meu valor permaneceu.
Mesmo que eu ainda não consiga senti-lo com a mesma intensidade de antes, eu sei que ele continua aqui.
Porque quem eu sou não diminuiu quando ela foi embora.
A partir de agora luto para encontrar em mim mesma aquilo que, por muito tempo, eu só enxergava através do amor que recebia dela.
