#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Tem dias em que a ausência chega silenciosa.
Não faz barulho, não avisa, não pede licença.
Ela apenas aparece, mostrando que existe um espaço vazio exatamente onde antes havia presença.
O mais difícil do fim não é somente perder alguém.
É perceber que uma versão nossa também vai embora junto.
A versão que esperava, que insistia, que criava planos, que acreditava que o sentimento e a vontade sobreviveriam a qualquer desgaste.
Mas talvez crescer emocionalmente seja entender que amor nenhum pode existir à custa do abandono de si mesmo.
E é estranho perceber que, às vezes, o término não destrói a gente — ele revela o quanto já estávamos quebrados tentando manter algo de pé.
O “nunca mais” dói porque encerra possibilidades.
Não existe mais aquela conversa que ficou para depois.
Não existe mais a moto chegando na garagem,
Não existe mais aquela versão da rotina onde tudo parecia familiar.
Só que, junto da dor, nasce outra coisa: consciência.
A consciência de que algumas partidas não acontecem para punir, mas para interromper ciclos que estavam consumindo nossa paz. E talvez essa seja a parte mais difícil da transformação emocional: aceitar que sentir saudade não significa voltar.
Hoje eu entendo que certas pessoas passam pela nossa vida para deixar marcas, não permanência. E tudo bem. Nem todo amor foi feito para durar; alguns existem apenas para despertar partes nossas que estavam adormecidas.
Então é isso.
Eu volto a ser a pessoa antipática que você evitava ir no setor só para não encontrar, e você volta a ser apenas alguém que passava despercebida por mim… até o dia em que cortou e platinou o cabelo.
O vazio ainda existe latente em tudo que cruza os meus dias.
A saudade também.
Mas agora, no meio desse silêncio todo, começa a surgir alguém que eu jamais conheci direito: eu mesma!
