#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Hoje eu inventei tanta coisa para fazer e não pensar em você, que acho que troquei todas as lâmpadas de lugar — e, no fim, tudo continuou exatamente igual. Talvez nada tenha mudado na casa, mas alguma coisa mudou aqui dentro. Minha cabeça ficou ocupada com coisas aleatórias, pequenas distrações, e isso me trouxe um pouco de paz. Um pouco de felicidade também. Não pensar em você por alguns instantes me causou um alívio – eu jamais pensaria que isso poderia ser possível a alguns dias atrás –
E acho que é assim que as coisas acontecem daqui para frente: devagar. Até não doer tanto. Até suas características físicas começarem a escapar da memória. Até o cheiro, os detalhes, os costumes, as frases… tudo ir se dissolvendo aos poucos. E o mais estranho é perceber que pensar nisso já não me desespera como antes.
Talvez porque hoje eu tenha entendido algo difícil.
Em uma postagem anterior, tentei descrever o tamanho da sua falta. Mas, no meio das palavras, percebi que, em muitos momentos, você já estava ali apenas de corpo presente. Sua ausência começou muito antes do fim. E talvez você estivesse certa o tempo todo. Talvez tenha tido coragem de enxergar o que eu ainda insistia em negar.
Porque alguns dias antes da decisão, você ainda dizia que estava feliz, que queria insistir. E eu também queria acreditar nisso. Nós duas queríamos. Mas a verdade é que já não conseguíamos nos fazer bem. Existia amor, carinho, apego, história… mas já havia também cansaço, feridas acumuladas e versões incompletas de nós mesmas tentando sustentar algo que estava deixando de existir.
Talvez a gente nunca tenha aprendido de verdade com as relações passadas.
Talvez tenhamos carregado dores antigas para dentro de algo que merecia mais leveza. Nos machucamos sem perceber, e acabamos perdendo algo que nunca vamos saber exatamente no que poderia ter se transformado.
Mas, ainda assim, tenho certeza de uma coisa: fomos extremamente importantes uma na vida da outra.
Porque depois de tudo, alguma coisa ficou. Aprendizados ficaram. Limites ficaram. Coragem ficou. E talvez agora exista mais consciência para seguirmos adiante sem repetir exatamente os mesmos ciclos.
Então, de alguma forma, deixo aqui o meu agradecimento.
Por tudo o que fomos.
Pelo que tentamos ser.
E principalmente pela coragem que você teve de encerrar algo que nenhuma de nós conseguia mais salvar sozinha.
Talvez amar alguém também seja isso: entender que nem toda despedida acontece por falta de amor. Algumas acontecem porque permanecer começou a destruir aquilo que um dia fez bem.
