#A jornada de ser eu apesar de tudo.

Tem dores que não aparecem nas grandes despedidas, mas nos detalhes que ainda esperam alguém.
Mesmo com a mente silenciosa, o coração batendo no ritmo habitual, o peito sem doer tanto e a bola na garganta já quase desaparecendo deixando a comida descer….os detalhes ainda me pegam desprevenida.
Não ter mais alguém para dar bom dia enquanto passo o café.
O copo que sobra na pia.
A mensagem que não chega.
O reflexo automático de pegar o celular para contar algo.
Os hábitos ficaram sem destino.
E talvez seja justamente isso que seja estranho: perceber que existem ausências que não dependem de mim.
Ainda penso nisso por horas.
Mas agora existe mais entendimento, menos excessos e um pouco mais de aceitação. As pessoas dão o que são.
Tenho olhado para dentro.
E, nesse processo, descoberto tanto sobre mim.
Chegou a hora da reconstrução.
Unir o que restou àquilo que desejo ser.
Como um ato de coragem, porque exige que eu seja, ao mesmo tempo, a demolição e a arquiteta.
Não se trata de esquecer o passado, de engolir as decepções, mas de ter coragem de atravessar os próprios escombros, aprender e seguir em frente construindo um novo alicerce.
Porque, embora eu não possa mudar o que desmoronou, as peças necessárias para construir um novo caminho mais consciente estão nas minhas mãos.
